15 de out. de 2011

O perfil do promotor do design


O promotor do design no seio de uma organização deve ser uma pessoa que conheça a realidade e os objectivos da empresa e reconheça o valor do design enquanto ferramenta importante na criação de valor. Não só deve compreender o passado e presente da empresa, como - principalmente – ter a capacidade de projectar o futuro desta. A associação do design a estes momentos não é de somenos: saber como o design foi aplicado, como pode ser utilizado para melhorar produtos e processos no presente, como é que pode ajudar a identificar necessidades dos consumidores que não estão a ser atendidas, responder a outras oportunidades de negócio, e como pode ajudar a inovar futuramente o modelo de negócio.
Assimilar o valor do design passa obrigatoriamente por ir para além dos estereótipos de que um designer é alguém que faz desenhos ou escolhe cores apelativas; um designer utiliza no seu processo abordagens criativas e analíticas na resolução de um determinado problema. E fá-lo conciliando os interesses da organização com as necessidades dos potenciais consumidores. 
Para implementar uma gestão global do design, que pode ser dividida nos estádios de concepção, desenvolvimento, entrega e melhoria, é fundamental que o promotor do design accione uma série de actividades que visem um maior grau de interacção, a nível interno, entre profissionais de diferentes departamentos da empresa; e a nível externo entre diferentes stakeholders (fornecedores, distribuidores, vendedores, consumidores, entre outros).
O seu trabalho, porém, não se esgota por aqui; neste processo é necessário encontrar os recursos (financiamento, gestão de tempo, projectos, locais) para estabelecer e melhorar o processo de design; configurar os recursos de design – através da contratação de designers; promover a interacção entre o design e outras áreas de competência da empresa; desenvolver e testar métodos; comunicar aos seus stakeholders o seu posicionamento; fomentar e adoptar novos conhecimentos e abordagens; proteger a propriedade intelectual. A implementação de uma gestão focada no design assenta numa compreensão geral dos problemas existentes, da realidade e dos objectivos que se prendem atingir a médio e longo prazo. Na formulação geral e na análise em pormenor de cada um dos pontos referidos é preciso ser claro, estar ciente dos limites das intervenções e saber que haverá momentos em que é necessário ser reactivo, pois o mercado nunca será estático.
Poderiam ser enumerados n casos de sucesso de empresas que concebem a sua gestão centrada no design, gráficos mostrando crescimento de facturação; apresentados exemplos desde produtos a espaços, passando por grafismos ou comunicações de empresas para ilustrar este artigo. A simplicidade que tais casos por vezes aparentam ter, ou a constatação de que (por vezes) se tratam de empresas conhecidas pelo grande público, poderia ser interpretado como algo confinado apenas a alguns sectores de mercado ou como algo não acessível a qualquer empresa / organização. A gestão do design pode ser implementada em qualquer organização, independentemente do seu sector de mercado, número de trabalhadores. Contudo, não pode ser importado a partir de um caso de sucesso de outra empresa ou de outro país e pensar que irá resultar; tem de ser concebido de acordo com as características intrínsecas de cada organização.
Por vezes o design é marginalizado ou tem um menor “índice de respeito corporativo” por ser difícil de ser medido, pela sua comunicação ser mais visual do que descritiva, por lidar com conceitos aparentemente intangíveis como semântica do produto, entre outros, ou por apresentar ideias próprias que ainda não foram testadas noutros locais. Existem casos em que se pensa em contratar um designer para trabalhar o aspecto final de um produto, adaptar um modelo semelhante ao da concorrência, ou melhorar a comunicação. É possível que nesses casos, por mais que haja uma aparente melhoria, seja difícil julgar o valor do design, porém se este for parte estruturante da gestão da empresa, com o objectivo de melhorar a qualidade de vida dos utilizadores, depois de aplicado, desenvolvido e refinado, tornar-se-á mais clara a sua quantificação.

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