“Existem muitos ingredientes para o sucesso no mercado. Mas estou convencida que a indústria britânica nunca há-de competir se esquecer a importância do bom design. Por “design” não quero dizer apenas “aparência”. Quero dizer toda a engenharia e design industrial que incorpora um produto desde a fase de ideia até à fase de produção, e que é tão importante para garantir que ele funciona, que é fiável, que tem bom valor e que tem boa aparência. Em suma, é o bom design que faz as pessoas comprar produtos e que confere aos produtos um bom nome. É essencial para o futuro da nossa indústria.”
Margaret Thatcher
Países industrializados
A necessidade de investir no design e desenvolvimento de produtos enquanto motor da economia tem sido constatada em inúmeros países industrializados. O grau da sua importância é histórico, como comprovam planos nacionais de design em países como Finlândia, Suécia, França, Alemanha, Japão ou Reino Unido; e mais recentemente em países asiáticos.
O Reino Unido apostou nos últimos trinta anos de forma sistemática no design de modo a responder ao decréscimo da sua quota de mercado internacional, apontado por relatórios – Corfield Report (NEDO, 1979) e Engineering our Future (Finniston, 1980) – que constataram o baixo investimento em Design como uma das principais causas para a contínua perda de competitividade para países como Alemanha e Japão no contexto pós-guerra.
Nos países supra mencionados, a aposta no design de produtos como disciplina fundamental no processo de inovação e qualidade, traduz-se num desenvolvimento sustentável das suas economias.
Países em vias de desenvolvimento
Em países em vias de desenvolvimento, apenas ao longo da última década o design de produtos tem sido referido como factor de importância para a competitividade económica.
Freeman (1987) refere que no processo de reconstrução pós-guerra no Japão havia economistas que defendiam que se deveria apostar em sectores como o têxtil, onde teriam uma vantagem económica devido ao baixo custo da não de obra. Porém a maioria dos economistas do Ministério da Indústria e Exportação defenderam que o investimento em tecnologia de ponta, bom design e alta qualidade eram factores que iriam compensar a médio prazo de um modo mais sólido.
Mais recentemente, países como a Coreia do Sul, Singapura, Índia e China, têm investido em Design de Produtos com o intuito de potenciar as suas economias.
“We need people who are creative, not just people who work hard.”
Central Academy of Fine Arts, Beijing
No relatório Lessons from Asia (Design Council, 2010) é referido que os governos da Coreia do Sul e China têm investido em Design a nível industrial e educativo de modo a criar valor nas empresas, através do desenvolvimento de novos produtos e serviços.
Na China, o investimento do governo tem sido centrado na educação, através do desenvolvimento de escolas de design; 1.000 escolas foram criadas na última década, produzindo mais de 250.000 licenciados em design por ano. Em muitas universidades existem acordos de parceria para o desenvolvimento de produtos para empresas como Motorola, IBM e Microsoft. O Design é actualmente o terceiro tema mais popular nas escolhas de cursos do Ensino Superior.
Na Coreia do Sul também existe uma ligação estreita com a indústria – à semelhança do modelo prosseguido na Universidade Tecnológica de Delft – com empresas como a Samsung, LG e Hyundai a participarem nas escolas de Design.
Em Singapura, para além do investimento em educação, na constituição de prémios internacionais e museus com abrangência internacional, o plano nacional de Design introduziu em 2010 o Crédito de Produtividade e Inovação, que promove deduções fiscais para investimentos em seis actividades-chave de criação de valor acrescentado, sendo o Investimento em Design, uma das actividades.
Na Índia, a Política Nacional de Design, debatida e refinada durante 2 anos e implementada em 2007 concerta um conjunto de medidas para elevar os standards de Made in India a níveis internacionais.
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