1 de out. de 2007

A discussão é longa, interminável, inconclusiva, talvez mesmo absurda em sentido lado: design vs engenharia. O objectivo de fundo do meu pensamento sobre este tema não é delimitar fronteiras entre cada uma das disciplinas mas sim diferenciar princípios.

A engenharia tenta solucionar problemas concretos a nível estrutural, como a habitação, o deslocamento (pontes, estradas, veículos), ou seja, tenta atenuar o sofrimento da vida. Por outro lado o design, ao ter como principal bandeira o objectivo da engenharia - atenuação do sofrimento- chega ao seu fundamento apenas de modo empírico e não sistematizado. O objectivo do design estende-se à satisfação do prazer.

No mundo ocidental as necessidades básicas são dados adquiridos, de um modo tão banal que para muitas crianças o leite vem do pacote, o dinheiro nasce na carteira dos pais, a luz eléctrica é uma consequência normal da noite. Para este mundo o “sofrimento” é um sentimento distanciado, adormecido, tão domesticado como o instinto animal vive em relação à etiqueta de boa educação. Daí que o design, ao tentar ganhar personalidade pela via da atenuação do sofrimento se confunda com a engenharia seja descaracterizado; quando tal acontece, acaba-se por criar novas e supérfluas necessidades que nada contribuem para o bem estar das pessoas.

O design ocidental ganha nova dimensão quando tenta projectar novos cenários para as sensações de prazer, quando tenta compreender quais os mecanismos que levam um indivíduo a procurar prazer numa determinada forma, serviço, ambiente, etc. Contudo essas preocupações são sempre estudadas do ponto de vista do negócio, do lucro, ou seja, no modo de como despertar o desejo para que o sujeito tenha a necessidade de comprar algo mesmo que não precise.

Se a questão do prazer não for estudada apenas pelo prisma do lucro, em vez de se perguntar “como se pode dar a ideia de que isto é aprazível?” pode-se perguntar “como e porque se dá o prazer?”

Para responder a isto o cerne da questão deve prender-se com o quantificar e sistematizar, primeiros os parâmetros estruturais pelos quais se dá a sensação de prazer. De modo semelhante, a estética tem procurado saber como se dá a sensação de belo. Evoluiu de teorias em que centravam o sentimento no sujeito ou em ordens universais, que tentaram ser sistematizadas e posteriormente impostas pela Igreja.

No design o principio deve ser o mesmo, de compreender os mecanismos, os mais profundos, para que se possam estabelecer uma estrutura vertical de sentimentos, que variam posteriormente com a cultura, idade, contexto particular, etc.

O intuito será compreender o que me leva a escolher um produto em detrimento de outro, do ponto de vista das minhas emoções.

O produto pode ser material ou imaterial, mas o princípio de acção tem de ser tabelado, quantificado, classificado.

Partindo do estudo das sensações, das reacções químicas, pode ser possível atingir o indivíduo de um modo mais profundo do que a simples moda, libertando o design da conotação efémera que lhe é continuadamente associada. Como se fosse possível desligar o design do lucro....

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