13 de nov. de 2009

Panda


Produzido entre 1980 e 2003 este pequeno citadino é realmente um projecto de design: simples de produzir, de montar (e desmontar), manter. Fiável. Um frigorífico sobre rodas.
Com todo o respeito por um frigorífico. E pelo Panda também!

Viva o bolso!

Quando me visto ganho conforto, protecção contra agentes exteriores mas, ao mesmo tempo ganho a capacidade “natural” de esconder objectos, transportá-los, guardar coisas que normalmente não poderia carregar. Para aceder a elas mexo-me, procuro, toco ocasionalmente no meu corpo indirectamente através do tecido, tendo em vista a busca pelo objecto pretendido.

Os objectos não estão encaixotados, não têm qualquer etiqueta. A busca / procura, tal como o acto de guardar são feitos pela forma do objecto e o tamanho do bolso, dos múltiplos pequenos ventres existentes na roupa.

A mobília também poderia ter pequenos ventres; que não sejam apenas quadrados, predefinidos, previsíveis, genéricos e monótonos… viva o bolso!

2 Fevereiro 2009

Aquisição Compulsiva

Após um ano de inactividade, um texto com mais de 2 anos.

Numa época em que os estudos que conduzem à segmentação dos mercados perdem o seu carácter de prever os comportamentos das pessoas, possibilitando o aparecimento de novos produtos, torna-se pertinente o estudo de como se dá a assimilação das características dos objectos e o encontro com as motivações do indivíduo.

O indivíduo está perante um leque de produtos, serviços, comunicações bastante vasto, o que traduz um aumento do número de relações Homem-Objecto. O quotidiano é composto por uma teia de ligações cada vez mais complexa.

Visto que há um maior número de relações com os objectos, elas não se regem pelos pressupostos existentes em épocas anteriores; há uma crescente virtualização na relação Homem – Objecto. Apenas assim é possivel explicar um aumento do número de relações, assente na superficialidade da assimilação das características dos objectos. Com esta pesquisa pretende-se demonstrar os motivos que sustentam a aquisição compulsiva, o sucesso da moda, e os mecanismos que determinam as tendências de mercado.

Nesta crescente virtualização – de concepção e de utilização- começada no modo como se projecta, estendendo-se ao consumidor e à própria relação com o objecto físico é necessário perceber o que se ganha e o que se perde.

Mário Barros

1 de Outubro de 2007