3 de dez. de 2008

Eu, Sofá.

Sou azul, meço 1,59m de largura, acolchoado, desdobrável. Dois braços, quatro pés. Sou um assento normal, arraçado de sofá. Os mais preconceituosos chamam-me divã. Mas eu prefiro sofá. Estou vestido de verde há algum tempo e não me lembro da última vez que me deixaram com a roupa a que vim ao mundo para lavar a túnica. Estas duas parasitas moles e metamorforseantes estão sempre por aqui e não sei bem para que servem, para além de ocuparem o meu melhor espaço.
A minha existência é monótona na maior parte do dia, especado a olhar para uma estante da qual já conheço todos os objectos de cor, sendo a única novidade a quantidade de pó que a antiga árvore consegue acumular. Pois, seria imperdoável não referir a TV, a companheira do cara-a-cara, a irmã inseparável, a outra desta dupla pá.” Ó Crown Japan, como és quadrada!” O problema da coitada é entrar em convulsões cromático-luminosas todas as noites, que só interessam ao espécime que me cai em cima para estar em frente a elas. Deve ser terapia.
Nem sempre; há vezes que a minha capacidade de ventre - apesar de ser masculino mas enfim, é o meu lado feminino – serve apenas para o sentar a saborear um bom vinho, um lanche, uma conversa, um livro ou um desenho; ou para o servir como leito para um descanso, a apreciar uma boa música; ou simplesmente para ouvi-lo dialogar com a lenta passagem das horas.

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