26 de jun. de 2008

OBSOLESCÊNCIA

Os objectos são esquecidos quando deixam de cumprir com competência uma das suas funções, que é encaixar-se perfeitamente no ambiente para o qual foram projectados e posteriormente apropriados por terceiros. No sentido lato do termo não deixaram realmente de funcionar, mas a passagem do tempo ou a mudança de hábitos de quem os adquiriu confere-lhes o rótulo de misplaced.

Por exemplo, um candeeiro feito há meio século pode tornar-se mais eco-sustentável com a simples compra de uma lâmpada de baixa emissão, porém não deixa de ter uma roupa inapropriada para a época contemporânea. Ou pelo menos uma conotação diferente. Uma interpretação destorcida desta ideia pode levar a pensar que o objectivo do design é apenas desenhar a roupagem do objecto e que o trabalho do designer é apenas de styling. Muitas vezes é, é certo, mas o objectivo não sucumbe neste patamar. Como processo de dinamização da cultura, o design conta e reconta a história do momento, adaptada às condicionantes do seu tempo; materiais, formas, cores, sensações, pesos, dimensões e texturas são caracteristicas que reflectem estados de espírito, ideologias, provocam prazeres e inserem-se num contexto cuja conotação é delimitada pelas fronteiras tempo – espaço.

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