Chegou a época do consumismo desenfreado, das ruas iluminadas, das músicas felizes a invadirem os ouvidos de quem vive o seu fim de semana cultural enclausurado num centro comercial convivendo com a multidão que encontrara no trânsito toda a semana, mas de um modo mais aconchegado, mais próximo, qual encontrão mais afável; pois é, o Natal aproxima-se a passos largos.
Os elementos decorativos ganham protagonismo em diversos espaços quotidianos; nos físicos como a casa, rua, espaço comercial; mas também nos virtuais como o telemóvel, o e-mail, o som e televisão.
Em casa a sala é a divisão central onde ocorrem as acções principais da festa, contudo a cozinha, pilar estrutural da preparação dos sabores típicos, não pode ser esquecida. A primeira é mais enfeitada, e nela a TV - peça central da vivência actual - empresta o seu brilho ao seu antecessor na hierarquia da dinâmica familiar - a mesa - mas também à árvore que dará sombra a vários contentores vestidos de gala.
A árvore de natal é o visitante sazonal que habita o espaço durante pouco mais de um mês e transporta consigo um conjunto de fitas, estrelas e bolas brilhantes, que dão uma nova vida ao espaço, densificando-o é certo, mas colorindo-o, aumentando-o nos seus reflexos espelhados, proporcionando novos pontos de vista de um local cuja organização tem de ser repensada de modo a albergar estes visitantes inertes mas também os actores da vida real. Num imperativo de integração no espaço vivido, a decoração da árvore de natal acompanha o tendencial neo-minimalismo de início de século que se vai instalando no habitat contemporâneo por via do seu mobiliário, das cores (ou ausência delas) das paredes e da anorexia dos equipamentos electrónicos; as combinações entre fitas e bolas são menos coloridas, mais sóbrias, numa busca de coerência formal onde o presépio aparece mais simplificado ou chega mesmo a desaparecer.
A mesa, órfã de atenção nos tempos que correm, volta a ser personagem principal, dotado de funcionalidade plena, tanto por ser um plano de apoio como elemento organizacional do convívio.
O espaço público, tantas vezes divorciado da sua função de integrar e potenciar a mobilidade de todos os cidadãos – não só automobilistas – é fardada por elementos semelhantes aos da casa, diferentes na escala e luminosidade, cumprindo duas das suas funções, psicológicas e culturais, de acolhimento desta época. O investimento para a ornamentação, cujo papel é maioritariamente psicológico, é das poucas intervenções de cariz preventivo que neste espaço acontecem.
Em diversos centros de cidade o som, destaca-se da sua posição doméstica ou pessoal para ser fruído colectivamente, sendo mais uma parte desta ambiência festiva, que pretende tornar todos os espaços acolhedores, extensões normais da habitação doméstica.
À semelhança da porta do armário e do varão do cortinado, também portas e varandas são guarnecidas pelo espírito natalício.
Em todo o lado vemos os adornos de Natal, desde as luzes, a logótipos, criando um estado de acolhimento que em certos casos se torna claustrofóbico, de forma a que ninguém se esqueça a essência da época, que como todos sabemos, é...